segunda-feira, 6 de julho de 2009

Do amor, suas ausências, chegadas, partidas e representações



Amor. Esta talvez seja uma das mais citadas, pronunciadas, sonhadas e representadas palavras de todos os tempos. Em todas as línguas, nas mais diversas linguagens. Diferentes imagens, Poesia, Prosa, Verso, música, figurado, abstraído, TV, cinema. Sentimento, invenção cultural- não sei. No Brasil, na MPB, ou se ama, ou se amou. Exalta-se a chegada do amor ou lamenta-se a sua partida. Difícil não amar neste país... Afinal “as suas mãos no pescoço/ as suas costas macias/ por tanto tempo rondaram/ as minhas noites vazias” (...). E tente-se dormir sozinho com um “barulho” destes.
A representação do amor, do amar, do ser amado. O morrer de amor, o viver dele, nele, por ele. Amar às vezes é quase uma imposição pra vida, afinal “é impossível ser feliz sozinho”. Amor e dimensões várias. Amar o outro, a si, às coisas, os feitos. Amar “é”, amor está e faz a maioria das pautas dos bares, dos palcos, das telas, da vida. “Pô amar é importante” e os domingos sem ele, ela, eles, elas, são um castigo. Amamos como nos filmes, nos filmes amam como nós.
Os atores, como eu, amam em cena, na vida e, ainda, criam representações do amar, reforçam algumas e às vezes, enquanto amam verdadeiramente, também conseguem assistir a si e sua representação do amor e quando voltam à cena amam na verdade-mentira-acordo da encenação assim como na vida vivida e dita real.
Em mim, ator, não amar e nem encenar o amor é insuportável. Vi “Romance”, o filme. Teatro, Amor, ausências, chegadas, partidas e representações. Vim escrever porque precisava de alguma representação, assim como os protagonistas e, por não estar no palco e nem amando, escolhi a tela, o teclado.
Há claro, uma pontinha de receio. Receio de ser lido, de ser descoberto sem amor. De ter atentado quanto à exigência de amar. Nem ao menos tenho certeza se esse escrito cheio de rodeios vai ser publicado. Talvez ele seja muito de mim para ir para aquelas escritas. Talvez, exatamente por isso, deva estar lá. Não sei. Talvez ele seja só, como diria Clarice: “ Um grito de ave de rapina irisada e intranqüila”. Talvez essa venha a ser uma representação guardada em segredo, como os amores impossíveis e secretos.
Quem sabe não está aqui o início de um espetáculo que virá e que vai colaborar com a dança infinda das representações do amor. Quem sabe aqui esteja o início de um amor. Eu não sei. Sei que ouço Omara e Bethania. Sei que é domingo, que vi “Romance”, que estou pensando em teatro, que estou pensando no amor, que estou pensando no amar.

2 comentários:

Laura disse...

Falas do que nos define!
Igor,me emocinas....te emocionas....nos amamos!
Nos precisamos!

RVIEGAS disse...

Lindo!
Parabens pelo teu dia!
Estou indo hoje p/ POA, daqui a pouco... Ainda nao sei bem quando volto a Satolep, mas quero muito te reencontrar e falar contigo.
Meu e-mail (e MSN tb!) é: viegas.rodrigo@yahoo.com.br
Add e/ou escreve!
Beijos!
Rodrigo.